Esta época de festas de família é-me um pouco difícil de passar. Apesar das alegrias que a Maria me dá não consigo esquecer-me de que o meu pai não está ali. Connosco. A viver todas aquelas emoções novas e tão boas.
Para ele esta era a melhor época do ano. A festa da família! Eu também penso assim. Possivelmente porque ele me ensinou…E talvez por isso sinta tanto a sua falta. Porque fazíamos muita coisa juntos.
Mais uma vez, este ano, fiz sozinha o “nosso” doce favorito: Tiramisú. Exactamente no mesmo tabuleiro que ele utilizava e da mesma maneira. Revivi muitos dos nossos momentos a fazer aquele doce. A partilha, o segredo, a alegria, as brincadeiras, o “lamber” da taça no final com uns palitos secos e com os dedos. O inevitável aconteceu e não consegui reter as lágrimas…
Pensei que com o passar dos anos a dor fosse adormecendo mas não. Continuo a sonhar que ele vai entrar pela minha porta e chamar-me “Marieta” como só ele tinha o hábito de fazer. Sinto demais a sua falta. Demais.
Por vezes estou simplesmente e contemplar a Maria a brincar e penso nele… Como era bom que estivesse ali comigo. Com ela. Para lhe um abraço e chamar-lhe “Marieta”.
Gostaria de ter uma máquina do tempo para ser criança novamente e reviver tudo de novo. Sem mudar nada.
Ou simplesmente conseguir apaga-lo da minha memória e do meu coração para não sentir esta dor, este vazio, esta saudade!




